Um dia eu viajava,
Ao lado do pago
Havia a estrada
Onde meu destino eu trilhava
Montada no baio
Eu ia xucra e destemida
Não havia sequer na face da terra
Alguém, nem mesmo um único ser;
Tudo parecia calmo e sereno
O lago havia cansado
De esperar o tempo
E eu ali, ponteando a viola que herdei
Na calmaria eu via o vento soprando o rosto
E um cusquito já falecido que parecia feliz
Será esse meu destino?
Viver feliz e depois morrer pelo rancho?
Ou será que o Patrão Maior quer mais?
Eu apontava as mãos ao céu e suplicava
Que ele me respondesse, me dissesse meu destino
Mas ali eu fiquei, sentada no catre a pensar na cochilha,
Será que não podia mais viver?
Será que foram as longas campereadas?
Ou no pago tempo de mais eu vivi?
Que sorte maldita a minha...
Mas num repente ouço o murmurio
Penso que é a mote e seus engodos
A me chamar para seu mundo
Viro-me e vejo a face moça, uma aura pura...
Ele me segura pelas mãos e diz
-Você não está mais sozinha!-
Então saímos a viajar
Por essa minha longa jornada da vida!
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